O teste e acompanhamento são gratuitos e estão disponíveis na rede municipal de saúde de Macatuba
A fonoaudióloga Maria Jaquelini Dias dos Santos, responsável pelo Teste da Orelhinha oferecido às crianças recém-nascidas em Macatuba, explicou a importância da identificação precoce dos fatores de risco para deficiência auditiva. Segundo ela, Macatuba é um dos primeiros municípios a ter esse controle geral. Além de fazer o Teste da Orelhinha, o município dá condições para acompanhar o tratamento da criança até a formação do seu sistema auditivo. Vale conferir a entrevista.
Qual a importância do Teste da Orelhinha nos recém-nascidos?
Maria Jaquelini - A partir do Teste da Orelhinha, o especialista consegue prever se a criança tem algum risco de desenvolver alteração auditiva. No teste não é feito diagnóstico audiológico, mas uma triagem para identificar se existe risco para aquela criança. Quando é detectada a presença do risco, é possível realizar outros exames mais elaborados de audição para determinar se essa criança tem ou não deficiência auditiva. Quanto mais precoce for o diagnóstico, melhores são os resultados do tratamento.
Quantos testes são feitos mensalmente em Macatuba?
Maria Jaquelini ? Existe uma variabilidade, de acordo com o número de nascimentos na cidade. Há meses em que nascem de 20 a 25 crianças. Há meses em que registramos 12 nascimentos.
É fundamental que, identificado algum problema no teste, haja acompanhamento e da criança...
Maria Jaquelini ? Sim. É importante explicar para as mães, que às vezes saem muito preocupadas após o Teste da Orelhinha e quando o especialista não consegue obter a resposta adequada da criança ao primeiro teste. Isso pode acontecer, porque há diversos fatores envolvidos. Se não encontramos a resposta no primeiro teste, a mãe é orientada a trazer o filho depois de 15 dias para novo teste. Se não há resposta novamente, essa criança é encaminhada para locais onde o diagnóstico audiológico é completo. Nosso centro de referência é a clínica de fonoaudiologia da UPS/Bauru. Essa criança é liberada se o diagnóstico apontar que não há problema auditivo. Porém, se é detectado o fator de risco para deficiência auditiva, ela é encaminhada para o tratamento e acompanhamento adequados, até o primeiro ano de idade. É importante o acompanhamento no primeiro ano de vida para avaliar o comportamento da audição desta criança, que é a audiometria de reforço visual. Outra informação fundamental para as mães é que a criança que tem deficiência auditiva também terá dificuldade para falar. Por isso, o tratamento precoce é fundamental.
Esse é o grande objetivo do Teste da Orelhinha: identificar os fatores de risco e encaminhar a criança para tratamento e acompanhamento adequados.
Maria Jaquelini ? Isso mesmo. É o acompanhamento contínuo para que o especialista possa verificar como se dá o desenvolvimento auditivo desta criança, que é um processo muito longo e vai até os 7 anos de idade. O sistema auditivo periférico e central vai estar formado quando a criança atingir 7 anos, quando ela atinge as mesmas capacidades auditivas de um adulto. Temos que acompanhar isso continuamente. Seguindo as diretrizes de atenção do Ministério da Saúde, crianças que fazem o Teste da Orelhinha com fator de risco têm que ter acompanhamento audiológico mais completo até um ano de idade, o que inclui avaliações comportamentais da audição. O teste e todo esse acompanhamento são gratuitos e estão disponíveis na rede municipal de saúde de Macatuba. Aliás, Macatuba é um dos primeiros municípios que têm esse controle geral. Não é só fazer o Teste da Orelhinha e liberar a mãe, é ter certeza de que a mãe e a criança serão acompanhadas no tratamento.