Em crise forte, indústria canavieira cobra incentivo dos governos federal e estadual para se manter produtiva e empregando mão de obra
Está marcado para a manhã desta quinta-feira (dia 24 de abril) um manifesto público pelas ruas de Macatuba em defesa do setor sucroenergético, que atravessa grave crise em todo o país - o que reflete diretamente na economia local e regional. A mobilização começa em frente à Câmara Municipal, segue pelas ruas da cidade e depois se dirige a Jaú, onde acontece a concentração regional.
O setor sucroenergético está intimamente ligado ao desenvolvimento de Macatuba e toda crise que afeta o setor tem reflexos negativos na economia do município. ?Macatuba apóia as reivindicações do setor sucronergético, que é a mola propulsora do nosso município e de toda a região. Estamos observando que este setor precisa do apoio dos governos federal e estadual?, defendeu o prefeito Tarcisio Abel.
Quem acompanha a realidade da indústria canavieira sabe que o setor precisa de diferenciação tributária, de aumento na proporção de mistura de etanol à gasolina, de incentivo como matriz energética co-geradora de eletricidade (bioeletricidade), incentivo ao desenvolvimento de motores veiculares movidos a etanol mais eficientes e, por fim, de um programa de refinanciamento das dívidas do setor, que são de curto prazo e sacrificam o empresariado. Sem isso, a crise evolui rapidamente e mais usinas vão encerrar suas atividades, gerando desemprego em todo o Estado e na cadeia que se sustenta no entorno da produção de açúcar e álcool.
A indústria do etanol vive sua maior crise da história. Somam 44 as usinas (de um total 384) que encerraram atividades recentemente. Das usinas atuantes, 33 estão em recuperação judicial e outras 12 não vão moer cana este ano. Somadas, elas representam 23% das usinas que estão falidas ou em sérias dificuldades financeiras, uma ameaça evidente de crise de emprego em todas as escalas. As demais usinas e todos os produtores de cana de açúcar estão altamente endividados, prejudicando o seu sustento, a manutenção dos empregos e o reinvestimento através de plantio e tratos culturais, o que deve piorar a situação nesta e na próxima safra.
?Essa mobilização é para mostrar à população e chamar a atenção do governo (...) que, com poucas mudanças, pode socorrer um importante setor produtor e empregador que está à beira do abismo. A reivindicação é pequena perto do que precisaria ser feito e da importância da indústria sucroenergética para o Brasil e o mundo. Aliás, o mundo inteiro está interessado nesta matriz energética, que o Brasil é o pioneiro. O governo precisa dar um apoio para ajudar a manter o setor, que está passando uma crise forte e é um grande empregador de mão de obra?, argumentou o engenheiro agrônomo Paulo Roberto Artioli, empresário do setor e uma das lideranças regionais da mobilização em prol ao setor sucroenergético.
MANIFESTO EM PROL DO SETOR SUCROENERGÉTICO
A indústria do etanol vive a maior crise de sua história, 44 usinas fecharam (de um total 384). Das usinas atuantes, 33 estão em recuperação judicial e 12 não vão moer cana este ano. Somadas elas representam 23% das usinas que estão falidas ou em sérias dificuldades financeiras.
As demais usinas e todos os produtores de cana de açúcar estão altamente endividados, prejudicando o seu sustento, a manutenção dos empregos e o reinvestimento através de plantio e tratos culturais, o que deve piorar a situação nesta e na próxima safra.
Este manifesto não tem caráter político, não é um movimento contra o governo, não estamos pedindo aumento de preços, não queremos contribuir para o aumento da inflação, é um manifesto em prol do setor sucroenergético onde solicitamos o apoio dos governos Federal e Estadual em prol, principalmente do etanol, que é um combustível limpo e renovável e, por isso, ambientalmente correto, lembramos que o nosso setor gera empregos, proporciona melhor qualidade de vida aos seus colaboradores e nas comunidades onde atuam e não podemos ser prejudicados pela importação da gasolina e etanol que geram déficit na balança comercial do país, temos que apoiar o etanol, que é nosso.
Pedimos um diferencial tributário para o setor através da equalização do ICMS em 12% ou menor em todos os estados; pedimos a volta da CIDE na gasolina; pedimos a redução de INSS sobre o faturamento da cana de açúcar do produtor que hoje é de 2,3%, reduzindo para 1%; pedimos o aumento da mistura de 25% para 27,5% e o incentivo para inovação tecnológica dos motores flex ou movidos a etanol, buscando melhores rendimentos em quilômetro/litro dos mesmos; pedimos a criação do REFIS específica para os produtores de cana de açúcar e para as usinas, permitindo o alongamento das dívidas hoje existentes; pedimos o incentivo à co-geração de energia elétrica (bioeletricidade) através da biomassa do bagaço e da palha da cana e açúcar e que a mesma participe de leilão específico para o setor.
Entendemos que essas medidas são urgentes e emergenciais e que dependemos delas para a continuidade do nosso setor, e sabemos que podemos contribuir para que o Brasil tenha cada vez mais uma matriz energética mais limpa e invejada por todos os outros países.
Estamos pedindo pelo setor, visando a um Brasil melhor.